Alguns trabalhos na literatura têm chamado atenção para uma variável muito interessante na musculação: incorporar treinos para grandes grupos musculares como Membros Inferiores (pernas) em Todas as Sessões (todos os treinos). A estratégia teria como objetivo otimizar os ganhos de força e hipertrofia através de um maior estresse metabólico e hormonal. Nesse texto vamos discutir como você pode usufruir dos resultados dessas pesquisas nas suas rotinas de treino.
Treino e Estresse Metabólico
Um dos grandes estímulos que pode
otimizar seus resultados na musculação é o chamado estresse metabólico.
Os estresse é enfatizado quando manipulamos variáveis como a
intensidade, volume e pausas no treino. O termo é frequentemente
utilizado para referenciar um estado de alta degradação de substratos
energéticos e de produção de determinados metabólitos nas nossas células
(lactato, fosfato e H+, por exemplo). Tais mecanismos são usualmente
estudados pois, evidências literárias reportam que eles possuem uma
grande parcela nas adaptações induzidas pelo exercício (Smilios,
Pilianidis et al. 2003, Goto, Ishii et al. 2005).
Uma das hipótese para tais adaptações
são as respostas hormonais. Como vimos no nosso texto sobre as pausas
(consulte o histórico do nosso blog), evidências na literatura reportam
que a elevação das concentrações plasmáticas de lactato parecem
influenciar diretamente na secreção do hormônio do crescimento (GH)
(Felsing, Brasel et al. 1992). Dessa forma, os treinamentos que
proporcionam maiores respostas de lactato, também são os que apresentam
maiores concentrações de GH pós treino (Smilios, Pilianidis et al. 2003,
Goto, Ishii et al. 2005). Por sua vez, as concentrações elevadas de GH,
modulam no fígado a expressão do fator de crescimento semelhante à
insulina (IGF-1), cuja ação incrementa em muito a nossa sinalização de
síntese proteica, proporcionando um ótimo ambiente anabólico (Goto,
Ishii et al. 2005).
Treinar Pernas pode gerar maiores respostas Hormonais?
Ronnestad e colaboradores (Ronnestad,
Nygaard et al. 2011) submeteram 9 indivíduos a 11 semanas de treinamento
para os músculos flexores do cotovelo. Durante 2 das sessões semanais,
exercícios para pernas eram realizados com o objetivo de incrementar a
concentração sistêmica de hormônios anabólicos imediatamente antes dos
exercícios para os flexores do cotovelo (L+A). Nas duas outras sessões
somente um dos braços dos indivíduos era treinado, mas agora sem os
exercícios para pernas.
Os autores observaram que as
concentrações de testosterona e GH foram significativamente
incrementadas durante o treino L+A, enquanto que nenhuma mudança
hormonal ocorreu na sessão apenas para os braços. Ambos os braços
aumentaram a força e tiveram hipertrofia, todavia apenas a sessão L+A
proporcionou uma hipertrofia maior em todas as porções avaliadas do
bíceps.
A conclusão do estudo foi que realizar
exercícios para pernas antes dos exercícios para braços induz ganhos
superiores de força e hipertrofia muscular do que realizar uma sessão de
treinos de braços de força isolada.
Resumindo: Treinar
membros inferiores em todas as sessões, para aumentar os níveis de
testosterona e GH, induz adaptações superiores quando treinamos apenas
grupamentos musculares pequenos de forma isolada;













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